Barra Bonita > Livro - 100 anos de histrória

A "LEI ÁUREA" E OS IMIGRANTES


A balsa com o 1º armazém da Sorocabana (Ytuana)

Os efeitos da Lei Áurea, abolindo a escravatura, foram contundentes na organização social, com a debandada da mão de obra escrava. Apanhados de surpresa e ante o direito de decidirem seu próprio rumo, os ex-escravos, sem as humilhantes peias e sem as ameaças do pelourinho, abraçaram a liberdade, mesmo inexistindo qualquer infra-estrutura que lhes garantisse os direitos sociais pelo trabalho executado. Poucos foram os que preferiram continuar no mesmo lugar, com a situação definida e remuneração como "trabalhador, operário, etc".
Dos antigos escravos que ficaram na Vila da Barra Bonita são lembrados: Casimiro e Balbina Silva, Marcos Bento, Brazilina Barbosa, Rosaria e José Barra Mansa, Pedro Paiol, Daniel e Eugênia de Oliveira, Nazária e José Mariano da Silva e Mathias de Tal, citados por Domingos Settimio Frollini no livro "Memórias de Barra Bonita".
Como recurso frente à situação criada, o governo brasileiro decidiu estimular a imigração já existente. A velha Europa, com os problemas surgidos pela super-população e pela exiguidade do espaço, ainda mais aderiu à idéia, favorecendo aqueles que desejassem tentar melhor sorte no "mundo novo". Não era uma decisão fácil para os europeus. Teriam que deixar afeições, as famílias, os usos e costumes que faziam parte do seu viver, e enfrentarem os riscos das longas travessias marítimas, rumo ao desconhecido cuja fama era de riqueza, pelo ouro e pedras preciosas que "brotavam" do solo e "corria" sob as enxurradas. Ignoravam eles a existência dos insetos causadores de febres e doenças, dentro de um território fértil mas ainda inexplorado, cujo sol causticante iria provocar queimaduras e problemas de pele. Nem a dificuldade do idioma estranho diminuiu o entusiasmo daqueles sonhadores europeus. Longe de intimidá-los, essas dificuldades mais encorajaram aqueles que acreditavam nas oportunidades que estariam à sua espera. E muitos atravessaram o oceano, na esperança de rasgar o caminho do sucesso com a força do seu trabalho e com a sua determinação.
Segundo dados do IBGE, até o ano de 1890 o Brasil havia recebido 360.224 imigrantes italianos, 313.025 portugueses, 45.834 espanhóis e 75.299 entre alemães e demais nacionalidades em menor número. Os desembarques, em sua maioria, eram nos Portos do Rio de Janeiro ou de Santos.
Os que desciam em Santos eram encaminhados para São Paulo, e alojados na "Hospedaria dos Imigrantes". Dali, após triagem e formalidades legais, o encaminhamento aos locais de trabalho, a maioria na zona rural. Dos tantos que vieram para a Vila do Jahu, muitos chegaram à região agrícola do Porto da Barra Bonita, após cansativa viagem em sacolejantes carroções que faziam o trajeto entre trilhas e picadas. Outros viajavam de trem até a Estação do Banharão e de lá, em carroças ou a pé, chegaram aqui, a partir da década de 1880. Os italianos formavam a grande maioria mas, entre eles haviam muitos espanhóis, sírios, alemães, austríacos e portugueses.
Cada família foi tomando seu rumo, formando novos núcleos espalhados pelas inúmeras propriedades agrícolas que compunham o nosso território de então. Dedicados ao trabalho e à terra que os acolheu, escreveram, de modo indelével seus nomes na história da cidade que ajudaram a formar e progredir. Nas pesquisas e buscas realizadas no Departamento de Imigração em São Paulo, nos arquivos do Estado, no Museu Municipal de Jahu, nos livros e relações de eleitores (os estrangeiros também votavam) do "Districto de Barra Bonita - Comarca de Jahu" - a partir de 1897 e anos seguintes, nos livros de atas da "Societá Italiana", nos cartórios locais, de Brotas e Jahu, nos jornais e publicações diversas, no livro "Memórias de Barra Bonita" de Domingos Settimio Frollini, e de acordo com informações dos familiares e descendentes dos antigos moradores da cidade, figuram entre os pioneiros imigrantes que se fixaram na zona rural, as famílias: Aiello, Antonangelo, Antonelli, Alponti, Abruzzi, Bellini, Barduzzi, Bellei, Balbo, Boldo, Bressanim, Bozzi (Rigon), Bérgamo, Ballan, Blasizza, Bettini, Boarini, Bressan, Bocato, Borgui, Brunelli, Caetano, Cárdia, Cagnotti, Constanzo, Cestari, Casagrande, Casale, Chiarato, Capelossa, Castelari, Dal Corso, De Marchi, De Conti, Dalla Costa, De Luca, Dias, Ereno, Frollini, Ferrari, Fagá, Ferrazolli, Fantin, Fantinatti, Fuim, Feltrin, Finatto, Giacomini, Guedin, Giroto, Grizzoni, Galhardi, Gatti, Marcon, Mascaro, Massenero, Mori, Marinelli, Maffei, Mozarle, Nardo, Osti, Patuzzo, Pizzo, Pollini, Pozebon, Perassoli, Piva, Pezente, Pellini, Pavani, Parezan, Petri, Polatto, Ricci, Rossi, Rizzatto, Reginato, Ragoni, Ribeiro de Andrade, Santinello, Stangherlin, Selleguin, Sargentim, Scarpela, Scalissa, Scapin, Stringheta, Stramantinolli, Sponchiatto, Santilli, Sabbatini, Spaulonci, Salve, Sacco, Simionatto, Simoncini, Testa, Tozatto, Terrazan, Ursolino, Ungaro, Vechiatti, Veghini, Vetorazzo, Victorino de França, Zaffani, Zanella, Zerlin e Ziglio, todas elas representando os fundamentos sólidos sobre os quais construiu-se a cidade de que hoje nos orgulhamos: Barra Bonita.
Embora a grande maioria dos imigrantes tenha se dedicado à lavoura, muitos desenvolveram atividades de acordo com as profissões que exerciam anteriormente. Lembram-se, nesse particular, entre outros, italianos, alemães, sírios, espanhóis, portugueses e austríacos, os comerciantes: José Angelino, Ângelo e Silvano Bataiola; Guerino; Luiz e Antonio Reginato; Luiz, Carlos, João, Antônio e Francisco Lourenção; Rocco Di Muzio; Emílio Bressan; Luigi Gaioli; Luiz Iaia; Salomão, Elias e Alfredo Simão; José, Alfredo e Muhama Rayes e José Chadad; Cláudio e Hyppólito Lopes. Os sapateiros: Tiziano Dalla Chiara, Aurélio Saffi e Gregório Vessio. Os ferreiros: Júlio Turi, Ezio Benfatti, Luiz Simon e Alberto Strutzel. Arthur e Antenor Balsi foram proprietário da primeira serraria do lugar. Os hoteleiros: Jacob Chalita, Victorio Cinquetti, Tomaz Mantovani, Emílio Quaglia e João Fantinatti. Os ceramistas: Ezequiel Otero, Thomas Guzzo, Francisco e Frederico Corradi, Benedito Bressanim, Ângelo Borsetto, Valentin Ferrazolli e mais tarde, João Martini, o introdutor do forno "abóboda" no município. Os açougueiros: Ferrucio e Sabino Bolla. Os primeiros pescadores profissionais: Valentino e Eugenio Giacomini. Vito Melle e Serafim Berti foram os primeiros farmacêuticos e Dr. Luciano Maggiori um dos primeiros médicos. Os fabricantes de cervejas e refrigerantes: Germano Güther, Baptista Torcia e os irmãos Antônio, Luiz e Giovanni Carnevalle. Os barbeiros: Francisco Mascaro e Domingos Di Poldo. Os construtores: Eugenio Nanni, José Negrin, Emílio Bertagnolli e Bernardo Pardo. Os carpinteiros: Amadeu Angelici, Ângelo e Emílio Gottardo e os irmãos José, Antônio e Manoel Marques Ferreira. Relojoeiro: José Lodi. O comandante fluvial: Francisco de Oliveira Diniz. Os condutores ou proprietários de trolis e carroças: João Gerin, Ângelo e Valentin Reginato, Ângelo e Giácomo Cestari, Adamo e Pietro Ziglio, Lorenzo e Severino Antonelli, Victório e Arthur Blasizza, Giuseppe Antonangelo, Olimpio Trema, Alfonso e Aristodemo Bellei, Francisco e Victorio Bergamo, Antônio Guerreiro, Antônio Moreno Ramirez e Miguel Molina que se juntaram aos "brasilianos": Francisco de Oliveira Paulista, Virgolino e João da Silva Nogueira.
Os trolis, em especial, eram muitos requisitados para festas de casamento. Nessas ocasiões, eram devidamente enfeitados e, além da limpeza geral, tinham os assentos cobertos por alvos tecidos, arcos de bambus, festões e penachos nos animais, e os condutores, impecavelmente vestidos, completavam o quadro.
De tradições e raízes profundamente católicas , os imigrantes que aqui aportaram, jamais tiveram estremecida a sua crença religiosa. Tornara-se imperiosa a construção de um templo, pequeno que fosse, mas que representasse a fé e a devoção dos moradores do lugar. E José de Salles Leme, sensível à aspiração dos moradores e, em especial dos imigrantes italianos, cedeu um terreno de sua propriedade (mais tarde doado à Paróquia), no alto de uma colina, para a construção de uma capela em louvor a São José (Padroeiro do povoado), cuja pedra fundamental foi lançada em 30 de setembro de 1889, assunto que será focalizado no capítulo: "A Capela São José de Barra Bonita".
Os imigrantes que aqui foram se radicando, contribuíram ativamente para o desenvolvimento da povoação. O crescimento acentuado da já numerosa colônia italiana, bem como a preocupação de seus membros com os demais "paesanos", motivaram a fundação, em 1907, da "Societá Italiana de Mutuo Soccorso e Beneficenza", parte importante da nossa história, detalhada em Capítulo especial.
Considerando a importância dos imigrantes, na história e no progresso de Barra Bonita, publicamos algumas fotos dos representantes das colônias: italiana, alemã, espanhola, austríaca, portuguesa e Síria. Que todos os demais integrantes e descendentes desses bravos pioneiros, sintam-se incluídos e homenageados através das mesmas.

Colônia Italiana e seus descendentes

Casamento de Adelina Bellei e Santo Cestari (06/09/1919)


Família de Antonio Aiello e Josefina Boarini (italianos)
Fila atrás - Emma, Augusto, Guerino, João, Angela e Francisca
Na frente - Anna, Rosa, Avelino e Luíz. Ao centro o casal Antonio e Josefino


1937 - O casal Luiz Reginato e Cezira Zaffani, ao lado da sogra, dos
filhos: Adelaide, Leonor, Aristies, Augusto, Anibal e Irene; dos genros, noras e netos.
Luiz Renato pioneiro comerciante e agricultor, destacou-se como:
Vereador, Presidente e Vice-Presidente da Câmara (1916-1930)
Dois de seus genros foram ativos políticos: Dr. Gionysio Dutra e Silva - Vereador, Pte. da Câmara e Prefeito (1930-1937) e Herminio de Lima -
Prefeito em duas gestões (1948-1951 e 1956-1959), além de
Vereador (1952-1976) tendo sido Pte da Câmara em várias legislaturas.
Seu neto: Dr. Antonio Cesar de Lima foi vereador (1956-1959)


A família de Germano Guther e Catarina Wolff, fabricantes de cervejas e
refrigerantes, com os filhos: Germano Jr.; Otto Augusto, Emilio, Rodolpho,
(Rudi, vereador em 1936), Antonieta, Helena, Laura (Lola) genro, noras e
netos, nas bodas de ouro do casal no ano de 1935.


Família de Cláudio Lopes e Joaquina Otero Lopes, imigrantes espanhóis
com os filhos: Laura, Belmira, Palma, Guadalupe, Orlando, Mercedes (Cidy)
e Odette, genros, nora e netos.
Claudio Lopes foi vereador e Vice-Prefeito (1914-1916), coletor estadual e comerciante.
Dª Joaquina - filha do pioneiro Ezequiel Otero, destacando-se também, o
filho Dr. Orlando: Médico, prefeito municipal (1952-1955) vereador, presidente
da câmara; os genros: Arthur Antonangelo - Vice-Prefeito e Ruggero de Marchi -
vereador; e o neto Clodoaldo Antonangelo (Dr. Tatinho) prefeito municipal
duas vezes: 1964/1968 e 1973/1976. Foto de 12/11/1947
Família de Cláudio Lopes


O pioneiro João Gerin, conduzindo o troli de sua empresa com seus sobrinhos:
Vitoria, Verônica e Rosina Bressan e Florindo Rizzato. A partir da esquerda:
sua esposa Maria Pezente; Albina Gerin (irmã) e seus pais: Maria Blazissa e Carlos Gerin, defronte a residência. Foto da década de 1910.
Família de João Gerin (imigrante austríaco)


09/02/1951 - José Victórino de França e sua esposa Catarina Balbo, na comemoração
das bodas de ouro com os filhos: João, Maria, Antonio, Francisco, Rosa, Magdalena,
Marina, José, Agenor, Juvenal, Pedro, Aparecida e numerosa descendência.
O Cel. Victorino destacou-se como grande proprietário e produtor de café:
foi vereador de 1923 a 1930 e seu filho João, cerceu o cargo de prefeito de 3 de Maio a 31 de Dezembro de 1947.
Família de José Victorino de França (imigrante português)


1960 - A família de Jorge Mucare e Afife Nahás Mucare; representando os imigrantes
sírios que aqui se estabeleceram no início do século. A partir da esquerda: Olga, Linda,
Odette, Victória, José (ao lado da esposa Janete Thomé) Adma, Abide (Badua) Wady (Duba) e Chafic.
Jorge Mucare foi ativo comerciante e três de seus filhos destacram-se na vida pública:
José, médico e vereador por seis legislaturas, sendo por cinco anos presidente da câmara municipal; Abide comerciante e também vereador em três legislaturas; e Wady médico e prefeito municipal em duas gestões: 1961/1972 e 1983/1988 que incluiu o
centenário de fundação de Barra Bonita. Família de Jorge Mucare (imigrante sírio)
 

 
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