Barra Bonita > Livro - 100 anos de histrória

A IGREJA MATRIZ DE SÃO JOSÉ, PRAÇA SÃO JOSÉ, A CASA PAROQUIAL, SALÃO PAROQUIAL

A IGREJA MATRIZ DE SÃO JOSÉ
Pedra Fundamental: 19 de março de 1922
Primeira missa: 19 de março de 1926

Nas páginas anteriores ficamos conhecendo o espírito religioso que caracterizava os moradores da "Villa da Barra Bonita", desde a sala cedida na "venda" de Salles & Pompeu para a celebração de atos litúrgicos; a construção da Capela em louvor a São José em 1889, pelos fundadores Nhonhô de Salles e Major Pompeu, e a criação da Paróquia de São José em 13 de março de 1903.
As áreas onde hoje se localizam a Igreja Matriz, a Praça São José, a Casa Paroquial e o Salão Paroquial, haviam sido doadas ao Bispado de São Carlos, por José de Salles Leme (Nhonhô de Salles) e sua mulher D. Winifrida Dauntre Salles, através de escrituras de 11 de fevereiro e 14 de junho de 1916.
O crescimento do número de fiéis devotos e a necessidade de maior espaço para as atividades religiosas, foram determinantes para que o "sonho" de construção da Matriz, se tornasse realidade. O decisivo apoio partiu do Padre Nicola Giúdice que, aqui chegando, tornou-se líder popular, realizando campanhas memoráveis, obtendo recursos financeiros e a total adesão do povo e dos dirigentes políticos, sensibilizando o Bispo da Diocese D. José Marcondes Homem de Mello que, pessoalmente, participou do início das obras, lançando a Pedra Fundamental, na festa do Padroeiro São José, no dia 19 de março de 1922.
E a sempre nova "velha guarda" de prodigiosa memória, como a do Sr. Luiz Saffi, lembra fatos comoventes dessa época citando, como exemplo, o dia 7 de setembro de 1922, data do Centenário da Independência do Brasil. A cidade em festas, os alicerces da matriz feitos com as pedras escavadas no final da Rua Salles Leme, à beira do Tietê, concluídos e toda nave central aterrada, o Padre Giúdice fez os alunos do Grupo Escolar e os escoteiros circundarem os alicerces e no centro ele celebrou a missa campal, em Ação de Graças, pela Pátria e pelo povo. As promoções para arrecadação de fundos eram freqüentes e as obras prosseguiam.
O entusiasmo dos fiéis sofreu um duro golpe com o falecimento do Padre Giúdice em 19 de junho de 1925, quando o prédio estava com as paredes semi-acabadas. Mas o novo Vigário, Cônego Dario de Moura, reacendeu a chama da fé e da vontade popular para concluir a cobertura e no dia 19 de março de 1926, com as bênçãos do Padroeiro São José, modelo de Pai e Operário, foi celebrada a primeira missa, em Ação de Graças, tendo como paraninfos, e representando todos os fiéis, beneméritos e membros da Comissão das Obras, o Sr. Juvenal Pompeu e D. Marina Reginato, esposa do Sr. Antonio Reginato. Na oportunidade, o Vigário agradeceu os esforços de todos; o apoio do Sr. Antenor Balsi - Vice Prefeito em exercício - e dos jovens que ajudaram na mudança dos altares e demais pertences religiosos que se achavam na antiga Capela ("O Município" nº 507 de 21 de março de 1926).
No dia seguinte, 20 de março de 1926, deu-se a demolição do prédio da Capela já referida no Capítulo "A Capela de São José da Barra Bonita".
Não há registro no Livro do Tombo sobre tais fatos e nem sobre sua inauguração. Apenas uma referência feita pelo Bispo D. Marcondes em sua vista Pastoral de 17/20 de dezembro de 1926 (Fls. 47 e verso) declarando entre outros detalhes, que a pedra fundamental havia sido benzida por ele em 19 de março de 1922. Ressaltando: "É verdade que não esta ainda concluída, entretanto vai servindo com grande vantagem, pois é espaçosa, de grandes proporções, e quando acabada será um templo magnífico que dará vulto a esta cidade, atestando ao mesmo tempo a religiosidade deste povo.., etc., etc.
Na verdade muito faltava ainda para conclusão da Matriz: a torre, o piso, revestimento das paredes, forro, iluminação, pintura, altares, imagens e tantos outros detalhes de acabamento, para os quais a comunidade Católica local nunca negou sua ajuda pessoal e financeira.
Para as obras de construção da torre foi criada uma comissão e a pedra fundamental lançada em 16 de setembro de 1928. Desse acontecimento ficou o registro na placa de mármore atualmente colocada na coluna lateral direita à entrada da Matriz, totalmente escrita em latim, contendo, entre outras identificações, os nomes do Bispo da Diocese, D. José Marcondes Homem de Mello, do Vigário da Paróquia Padre Francisco Ferreira Delgado, dos Membros da Comissão: Major Juvenal Pompeu, Coronel José Victorino de França, Luiz Reginato, Francisco Lourenção e Demósthenes Gonçalves, além dos construtores, Álvaro Botelho & Cia.
O ano de 1929 foi repleto de realizações, como por exemplo, a construção da torre, cuja estrutura é totalmente metálica, do alicerce até a base da cruz numa altura aproximada de vinte metros. Depois de montada, foi revestida de tijolos e cimento. Era o mês de agosto de 1929 e durante a celebração da missa, o Padre Chiquinho (Francisco Ferreira Delgado Junior) comunicou aos fiéis que já estava na Estação Ferroviária local, a cruz para ser colocada no topo da torre. Imediatamente, um grupo de voluntários unindo fé e entusiasmo, para lá se dirigiu, retirou a pesada cruz, trazendo-a nas mãos, e em procissão até o centro da igreja. Essa cruz, símbolo de fé que até hoje se destaca na nossa paisagem, foi instalada no ápice da torre pelo jovem e arrojado barra-bonitense, Nilo Benfati que, enfrentou e venceu o desafio da altura (depoimento de Luiz Saffi).
Ainda em agosto de 1929 foram colocados os belíssimos vitrais, com cenas bíblicas oferecidas pelas famílias e irmandades religiosas locais, entre elas: Fernando Netto, Juvenal Pompeu, Maria e Luiza Casagrande e Irmandade de Santo Antonio. A Pia União da Filhas de Maria ofereceu os demais vitrais, e Augusto Reginato doou o vitral do Batistério.
O posterior rebocamento das paredes internas e externas foi executado, entre outros, por Aleixo Negrin (Ricieri) e Fernando Palmezan que também fabricou e assentou os ladrilhos (ainda hoje originais) do piso da Igreja. Dona Catharina Balbo Victorino de França doou o altar e a imagem do Sagrado Coração de Jesus e todos os quadros da Via Sacra.
Os primeiros bancos, as portas e o púlpito foram obras do artesão italiano Guido Pener que realizou todo trabalho nos fundos de um rancho da Cerâmica dos Irmãos Frederico e Francisco Corradi, de cuja família era parente. Uma da primeiras pinturas da Igreja foi feita por Caetano Bertagnoli, em 1930. Desses fatos não existem registros escritos. Eles estão na memória e no coração daqueles que testemunharam os mesmos e fizeram parte do "início de tudo".
Os artísticos painéis e gravuras bíblicas pintadas no interior da Matriz foram obras executadas no ano de 1951, e de acordo com o Livro do Tombo, os atuais: sino e relógio da Matriz foram instalados em 29 de junho de 1951, doados pela Legião de São José. Desde então, o perfeito funcionamento do relógio é garantido pela competência e dedicação do Sr. Nilo Gatti.
O órgão elétrico "Hammond", última palavra em sonorização dos anos cinqüenta, adquirido através de quermesses beneficentes, foi inaugurado na missa solene em louvor ao Padroeiro, dia 19 de março de 1957.
O revestimento em mármore das paredes internas, do piso do altar-mór e das capelas laterais e os novos bancos em número de setenta e seis, foram obras executadas em 1963 (Livro do Tombo nº 2, fls. 172).
A Matriz de São José sempre mereceu grandes cuidados de todos os seus Vigários e de toda comunidade católica.
Assim sendo, passou por várias reformas, inclusive ampliações, como a construção da Capela do Santíssimo Sacramento e Salas para reuniões em 1980, e novas pinturas que não descaracterizaram seu estilo de construção.


PRAÇA SÃO JOSÉ
Para a construção do jardim da Praça São José, a Prefeitura providenciou o levantamento de uma planta topográfica ("O Município" nº 649 de 21/4/1929), mas sua inauguração só ocorreu na noite de Natal (25 de dezembro de 1932) após Missa do Galo e debaixo de uma chuva torrencial. A festa popular, com grande foguetório, foi animada pela "Banda do Joaquim Bentinho", e na oportunidade, todos elogiaram o trabalho do responsável pela construção Ambrósio Colombo, que executou os serviços de pedreiro, encanador e eletricista. Era Prefeito o Dr. Dionysio Dutra e Silva (Jornal da Barra nº 927 de 9/11/1985).


A CASA PAROQUIAL
A primeira Casa Paroquial do início do século, constante da escritura de doação de Nhonhô de Salles e D. Winifrida, cedeu lugar a um novo prédio, construído também com a ajuda do povo. Iniciado em 31 de janeiro de 1938, teve como membros da Comissão de Construção (Livro do Tombo) os Senhores Hermínio de Lima, Presidente; Mário de Campos Costa, Vice-Presidente; José Victorino de França, Tesoureiro; Francisco Gallo, 2º Tesoureiro; Rodolpho Güther, 1º Secretário e Natale Petri, 2º Secretário. Foi concluída em 23 de março de 1945 recebendo a benção do Bispo D. Ruy Serra, sendo paraninfo o Sr. Orlando Chesini Ometto.
Nos anos 70 essa casa foi totalmente remodelada e ampliada, servindo, a partir de então, como residência de todos os padres que passaram pela Paróquia de São José.


SALÃO PAROQUIAL
Para atender ao crescimento das atividades ligadas à religião católica e por iniciativa do Padre Lauro Gurgel do Amaral, teve início em 1956, uma grande campanha destinada a arrecadação de fundos para construção do Salão Paroquial, entre as ruas Salvador de Toledo e Coronel Virgílio, o qual foi oficialmente inaugurado em 22 de fevereiro de 1964 pelo Cônego Rubens A. S. Espíndola, Vigário da Paróquia.
Em um dos seus pavimentos funciona o "Clube de Costura Santa Rita de Cássia", fundado em 22 de maio de 1977, o qual tem por finalidade a confecção gratuita de roupas para adultos, crianças e bebês, destinadas às famílias carentes, que as adquirem por preços simbólicos. O "clube" é formado por um grupo de senhoras, membros da Paróquia de São José. 


Igreja São José em construção


Igreja São José terminada


Praça São José - 1933

 
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